Pela noite adentro a escrever…
Entre mais noite ainda, a solidão,
imaginando a tua companhia.

Estou à luz de Florbela meditando
rebuscando um soneto p’ra te dar
que seja poema e mais sonhando
ate ao extremo limite de sonhar.

Como bem podes agora imaginar,
estou só, pela noite a escrever,
procuro as palavras que hás-de ler
mas só encontro vazio a sufocar.

Recordo-me de mim noutro lugar
quando sem contar me apaixonei
sem que revelar-me conseguisse…

E por alguns segundos hesitar,
senti-me incapaz e disfarcei,
deixando que o silêncio me traísse.

Porto, 04h06 – Porto, 25 de Julho de 2017
António Torre da Guia